O dia que eu fiquei sem internet

Era pra ser só mais um dia normal de trabalho, onde eu ia enfiar minha cara de criança na frente da tela do computador por várias horas seguidas, ficar com dor nas costas, praguejar e tomar café enquanto resolvia as coisas de um dia comum e trabalhava num projeto bacana, mas OPS, não tinha internet. Logo cedo.

Não sei lidar de forma razoável com esses contratempos do cotidiano. Eu me irrito, xingo e acho que o dia já está perdido. Liguei pro povo que cuida da minha internet e a resposta foi “talvez a gente passe aí hoje, talvez amanhã, não se sabe“. Como assim, “não sabe?” me dá uma previsão, sei lá, minta pra eu me sentir melhor…mas não, a menina tava nem aí pros meus sentimentos em relação a coisa toda.

Dormi. Assisti reprise de Vamp, Rei do Gado e umas crianças capetas no Super Nanny. Nada.

Finalmente o técnico me aparece, aperta uns 3 botões e a coisa volta a funcionar. ÓDIO. Como assim eu passei o dia mexendo nessa porcaria pro cara resolver em 30 segundos?

Era “só” o roteador que resolveu não reconhecer o ip. E esse “só” me custou 12 horas.

Engraçado como eu só me dei conta do quanto sou dependente da internet quando fiquei sem ela. Assim como a gente só se dá conta do quanto gosta das pessoas quando elas não estão mais disponíveis pra você. A gente acaba ficando tão acostumado com as coisas ao nosso redor, que só dá por falta delas quando precisa xingar e passar o dia sozinho vendo reprise de programa infantil.

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Da necessidade de agradar os outros

Tem uma coisa que só o tempo faz com que se descubra: a gente realmente não precisa agradar todo mundo.

Eu sempre tive essa péssima mania, desde criança, de querer que todo mundo fosse com a minha cara. Beleza, querer que as pessoas gostem de você não é um problema, mas se torna um quando você passa a desagradar você mesmo pra agradar os outros.

Aquela mania de brincar de determinada coisa porque a fulaninha queria, mesmo que você odiasse com todas as forças, só pra ela gostar de você. De aceitar aquele mala no seu grupo de estudos da faculdade, mesmo sabendo que vai levar o cara nas costas, só porque “tadinho, vai que ele fica chateado?” e daí quem sai chateado é você, soltando fogo pelas ventas porque fez o trabalho sozinho.

Fiz isso dezenas de vezes na vida.  Fazer o que fosse melhor pros outros, mesmo que isso me deixasse brava, chateada ou mesmo triste.

Mas o bacana é que a gente aprende que não dá pra ser assim. Claro, ninguém tá aqui pra ser grosso e ignorar deliberadamente os sentimentos dos outros, mas a gente aprende a pensar na gente. Se a pessoa tenta se encostar, eu me afasto com cuidado, deixando claro o meu espaço.  Não vou mais em festa só porque a amiga X quer a minha companhia. Se eu achar melhor ficar em casa vendo uma reprise de Titanic, é ali que vou ficar, sendo honesta e dizendo que não estou querendo festa naquele dia.

-Mas Luisa, todo mundo vai!

opa, melhor ainda, tenho pânico de multidão, fico quase claustrofóbica.

Com jeito e tempo a gente aprende que não adianta se virar do avesso pra agradar os outros. As pessoas precisam respeitar suas posições, e de quebra, a gente aprende a se respeitar também.

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Da minha proposital falta de foco nas coisas

Muita gente quando me conhece e descobre que eu tenho um blog, me faz a pergunta valendo um milhão de reais em barras de ouro que valem mais do que dinheiro: “teu blog é sobre o que?”

Confesso que geralmente quando me perguntam isso, eu posso ouvir um grilo na minha cabeça durante uns bons segundos, até eu conseguir pensar numa resposta decente, porque, né? quem costuma entrar aqui já viu que foco em um assunto só é algo que eu desconheço.

Nos primórdios aqui do Primeira, (aka ano passado) eu realmente tinha uma atenção mais virada pra moda, tendência e tudo mais, mas já tem tanto blog focado só nisso, que eu seria sócia do Eike Batista se ganhasse um real pra cada blog novo desse tipo que descubro todos os dias. Sem falar que eu não sou (e nem pretendo ser) expert no assunto. Falo de moda nos níveis básicos, das coisas que eu, como consumidora entendo. Jamais esperem que eu me sente aqui e fale do tecido e do corte do desfile da marca X. Vai sair mais artificial que a voz do Bob Esponja.

Eu não reclamo da minha falta de foco. De verdade. Me interesso por moda nos mesmos níveis em que me interesso por tecnologia, educação, comunicação e arte. Então, pra que manter toda minha atenção e produção de conteúdo num só tema, se eu tenho condições de explorar tanta coisa?

Meus textos pessoais até que não são tão ruins. Pra que mante-los no fundo de uma gaveta ou numa pasta escondida na caixa de emails, se posso dar vida pra eles aqui? sim, dar vida. Enquanto tiver alguém lendo, achando bom, ou mesmo uma grande porcaria, o texto tá vivo.

E é por isso que meu blog não tem um tema, uma direção. Ele é uma grande salada de coisas do cotidiano. Como eu.

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Quando você finalmente aprende a escolher seus amigos

Olhando pra trás, eu percebi que durante muito tempo na vida, eu tive um azar do caralho tremendo com amizades. Sério, a minha ingenuidade até os 20, 22 anos era tanta, que as pessoas me faziam de idiota, traíam a minha confiança eu nem tchum. Nem reparava. E quando descobria, respirava fundo, pensava “ah, todo mundo erra, né?” e deixava a pessoa passar por cima de mim mais uma, duas, três, quarenta e sete vezes e meia.

Sem querer entregar a irmandade e tudo mais, mas amizade entre mulheres pode ser uma coisa muito complicada quando não se tem maturidade pra lidar com as coisas. Só com a maturidade é que mulheres podem ser amigas, sem essa coisa da competição, da briga de ego e da “minha saia rosa é mais bonita que a sua“.E maturidade não tem nada a ver com idade. Tenho amizades desse tipo desde adolescente, ao mesmo tempo que conheço gente que faz o mimimi da competição perto dos 50. Cada uma com seus problemas.

Amizade com homem sempre me pareceu mais light. Eles me dão conselhos com a mesma facilidade que riem da minha cara. Acho que por isso eu seja mais próxima dos meus amigos homens. Talvez seja essa minha coisa de nunca ser mulherzinha demais, de nunca me fazer de mocinha indefesa. Tenho pavor.

Só agora, com 25 anos no meio da cara, é que eu aprendi a escolher as pessoas que me rodeiam. De verdade. Só agora eu olho ao redor e vejo que escolhi direito. Beleza, admito que meus amigos tem lá seus defeitos, mas eu tenho os meus e a gente vai se entendendo. Só agora escolhi gente que me apoia, puxa minhas orelhas, ri da minha cara e por quem eu faço o mesmo, vendo todo dia ou só uma vez por ano.

Vocês são os melhores, de verdade.

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A bolha.

Tem horas que tudo o que a gente mais precisava era de uma bolha pra ficar dentro.
Um lugar onde ninguém pudesse entrar, falar, se intrometer ou fazer as coisas do jeito que der na telha.
Essa coisa toda de solidão ser uma coisa ruim é um exagero enorme. Claro que passar a vida sozinho vai tornar tudo mais difícil, mas em alguns momentos, nada como uma bolha pra se isolar, mesmo que seja imaginária.

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Pra não acostumar com a boa vida…

Chega Sedex, Luisa desce correndo: Um kit bacana de presente do Multishow.
Chega carteiro, Luisa desce correndo: presente pra mim e pra sorteio no blog.
Chega motoboy, Luisa desce feliz: multa de trânsito.

Não se pode elogiar, tão vendo?

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