Da necessidade de agradar os outros

Tem uma coisa que só o tempo faz com que se descubra: a gente realmente não precisa agradar todo mundo.

Eu sempre tive essa péssima mania, desde criança, de querer que todo mundo fosse com a minha cara. Beleza, querer que as pessoas gostem de você não é um problema, mas se torna um quando você passa a desagradar você mesmo pra agradar os outros.

Aquela mania de brincar de determinada coisa porque a fulaninha queria, mesmo que você odiasse com todas as forças, só pra ela gostar de você. De aceitar aquele mala no seu grupo de estudos da faculdade, mesmo sabendo que vai levar o cara nas costas, só porque “tadinho, vai que ele fica chateado?” e daí quem sai chateado é você, soltando fogo pelas ventas porque fez o trabalho sozinho.

Fiz isso dezenas de vezes na vida.  Fazer o que fosse melhor pros outros, mesmo que isso me deixasse brava, chateada ou mesmo triste.

Mas o bacana é que a gente aprende que não dá pra ser assim. Claro, ninguém tá aqui pra ser grosso e ignorar deliberadamente os sentimentos dos outros, mas a gente aprende a pensar na gente. Se a pessoa tenta se encostar, eu me afasto com cuidado, deixando claro o meu espaço.  Não vou mais em festa só porque a amiga X quer a minha companhia. Se eu achar melhor ficar em casa vendo uma reprise de Titanic, é ali que vou ficar, sendo honesta e dizendo que não estou querendo festa naquele dia.

-Mas Luisa, todo mundo vai!

opa, melhor ainda, tenho pânico de multidão, fico quase claustrofóbica.

Com jeito e tempo a gente aprende que não adianta se virar do avesso pra agradar os outros. As pessoas precisam respeitar suas posições, e de quebra, a gente aprende a se respeitar também.

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