Das cenas de infância: o sapo

Quem me conhece bastante, sabe que se tem duas coisas nessa vida das quais eu tenho um medo que não se explica, essas coisas são agulhas e sapos. Agulhas porque…bem, quem gosta de agulhas, meu deus? e sapos pela linda história que eu vou contar nesse post.

Morando numa casa perto de um morro, bichos nunca foram uma novidade pra mim. Gafanhotos, vagalumes, aranhas e outras coisas do tipo são meio que comuns. Sapos também, até aquele fatídico (drama) dia. Quando eu falo “sapo”, me refiro àqueles bem pequenininhos, que né? mal dá pra ver se não tiver pulando, então whatever. Essa casa era ao lado da que eu moro hoje, já que essa estava sendo construída. A casa em questão tinha um quintal enorme ao redor, com grama, areia e as duas husky siberianas malucas que eu tinha.

Nesse dia, meu pai me pegou no jardim de infância no fim da tarde, junto com toda a minha tralha: mochila, lancheira, pasta, avental da Hello Kitty e casaco. Sim, eu já adorava uma muamba nessa época. Minha vó trabalhava numa padaria e claro que eu nunca saía de uma passada lá sem aquela maravilha que faziam na época, chamada pirulito de chocolate. Eram enoooormes, em formas de casinha, bicho e sei-lá-mais-o-que. Recaptulando: eu tinha mochila, pasta, lancheira, avental, casaco E pirulitos.

Chegamos em casa já de noite, eu e meu pai, já que minha mãe já tava em casa. Estacionamos o carro na rua e entramos pelo tal quintal gigante. Com a luz da rua apagada, meu pai, conhecendo a filha que tem, inicia o seguinte diálogo:

-Filha, vou na frente porque tá escuro e você pode cair.
-Tá, pai.

Andamos meio quintal…

-Filha, cuidado com o sapo aí.

Pausa:

Como eu disse antes, “sapo” pra mim eram aqueles sapinhos minúsculos. Sapos gigantes do mato eram criaturas que eu desconhecia.

-Tá…

Depois dessa “tá” é que a coisa ficou preta. Eu, Luisa Helena, esperando um sapinho minúsculo, dou de cara com um sapo-boi-do-mato-gigante praticamente encostado na minha perna. O que aconteceu aí é bastante questionável: eu sei que eu larguei tudo e saí correndo pra dentro de casa, mas não lembro de nada disso. Lembro de ver o fucking sapo e de estar no colo da minha mãe dentro de casa, mais branca que uma folha de A4.

Crise de choro. Água com açúcar. Meu pai tentando explicar que quem deve ter se assustado era o pobre sapo indefeso. Me acalmei.

5 minutos depois, outra crise terrível de choro.

-Que que foi agora, filha?

-Acabei de lembrar, o sapo ficou com os meus pirulitos.

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Once When I Was Little…

Porque tudo era mais fácil quando eu era criança. De verdade.

Eu não tinha preocupação maior do que terminar meu desenho da pré-escola, que aliás eu nem pintava. Sempre odiei pintar. Se com 4 anos eu pudesse pagar alguém com 7 Belo pra pintar meus desenhos, certeza que eu tinha feito. Tava pouco me lixando pros problemas do mundo, a eleição pra presidente ou o aquecimento global. Desde que tivesse Toddynho na minha lancheira da Branca de Neve, tava tudo ótimo.

Falta de sistema nunca era desculpa pra nada. Sistema pra que? era tudo feito a mão mesmo…talvez isso facilitasse as coisas, vide os correios que vive às turras com o sistema deles. Tomar vacina não era legal, mas eu sempre ganhava uma laranjinha depois. Não fazia esquecer a dor, mas melhorava o dia.

Fazer trabalhos era na base do papel almaço, com a Barsa do lado. Demorava mais, mas pelo menos a falta de luz nunca me fez perder horas de pesquisa. Google? É de comer? Desconheço. Os amigos eram mais fiéis, ou eu era mais ingênua e a coisa mais estressante foi pegar catapora.

A única coisa que eu me pergunto é: Por que mesmo que a gente tem tanta pressa de crescer?

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