Tv a cabo, programação dublada e consumidor desapontado

Tava eu aqui sentada olhando a Rolling Stone de Fevereiro, quando caio numa matéria sobre essa história de passarem a dublar a programação da tv a cabo, e confesso que me deu uma certa raivinha (não da matéria, mas da situação). Deixa eu me explicar melhor:

Eu sei que cada caso é um caso, mas o que eu sempre curti na tv a cabo era justamente o fato de ter o áudio original das coisas. A dublagem faz adaptações e às vezes tira a graça de algumas cenas, em situações que só fazem realmente sentido no idioma original do programa. Segundo a matéria, isso se dá ao fato de que em dados de uma pesquisa recente, 76% dos potenciais novos assinantes das empresas de tv a cabo preferem o conteúdo dublado, por já estarem adaptados com a dublagem dos canais abertos. Ok, entendo que eles queiram angariar novos assinantes, negócio é isso aí, mas, e o interesse em manter seus atuais assinantes, que em grande maioria (via as pesquisas “informais” que já fiz no twitter umas três vezes e as coisas que vejo no Facebook) preferem ver as coisas em idioma original e muitas vezes são assinantes justamente por isso?

A própria matéria da Rolling Stone menciona que nas dublagens, a voz do Seu Madruga é a mesma voz do Schwarzenegger (grafia copiada da própria matéria pra não precisar recorrer ao Google), que por sua vez, é a mesma do Morgan Freeman. Ok, são programas diferentes, contextos diferentes, o consumidor deve ter o direito de escolher se quer que a “voz de deus” do Morgan Freeman seja igual à de um personagem do Chaves ou não.

Eu não sou contra a dublagem, mas sou a favor da opção. A TNT fez isso muito bem esse fim de semana, quando disponibilizou o SAP durante o Grammy. Quer dublagem? beleza. Quer idioma original? beleza também. O que não rola é os canais começarem com “ok, nossos potenciais novos clientes preferem tudo dublado, quem se importa com o que os atuais espectadores desses canais querem?”. Porque afinal, é TV paga. Se do nada, tudo ficar dublado, muita gente vai ficar insatisfeita e possivelmente cancelar o serviço.

Dá mais trabalho? deve dar, mas resulta em clientes mais felizes e com as piadas no idioma que for mais interessante pra eles.

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A inconstância é o que ferra tudo.

É tão difícil lidar com a inconstância alheia. Como se já não bastasse a nossa. Como se não bastassem os nossos problemas com o nosso “eu mesmo”, a gente sempre acaba tendo problemas com os outros. O pai, a mãe, a fulaninha, o carinha lá sabe deus de onde e o cachorro que te mordeu. E daí parece que tudo ocorre no mesmo dia, na mesma hora, e você quer sumir, evaporar, cair no mesmo buraco que Alice (a do país das maravilhas) caiu e ficar lá.

Porque, que saco, você nem queria brigar com ninguém. A ideia era só chegar no fim do dia um pouco mesmo “de bode” do que começou. Mas nãaaaao, vamos criar problemas novos, porque né? tem poucos no mundo. E é tudo problema idiota. Sério, tanto problema “de verdade” lá fora e tanto problema idiota aqui dentro.

As pessoas se pegam em tanta coisa boba, que às vezes fica difícil não achar tudo ridículo, mandar tudo pastar. Num minuto tá tudo lindo, no outro você se sente numa cena sem muito nexo de Pulp Fiction. As pessoas deviam se levar menos a sério. Pena que o BBB só começa amanhã.

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Dos Traumas de Infância: a tartaruga marinha.

Eu já contei aqui pra vocês a história patética que me faz ter pavor mortal de sapo até hoje, e vira e mexe eu lembro de outra história embaraçosa da minha infância: o dia que fui sacaneada por uma tartaruga marinha. Sério, não riam ainda.

Antes de tudo, vamos contextualizar: era fim dos anos 80 e eu era muito pirralha pra ter um senso estético digno, ok?

Um belo dia, no fim dos anos 80, resolvemos fazer uma passeio familiar até o zoológico local. O zôo não era lá grandes coisas e tinha mais animal doméstico do que qualquer coisa, mas criança de 4 anos se diverte com qualquer babaquice, né? Como já falei, era fim dos anos 80, e como toda menina nascida nessa época, meu maior-sonho-dos-últimos-tempos-daquela-semana era ser paquita. Vergonha de escrever isso, mas né? vamos manter a honestidade. Dito isso, resolvi ir pro zoológico com o penteado clássico da Dona Xuxa naqueles tempos, aquele rabo-de-cavalo MEDONHO, que de tão alto, era quase uma crista. Again: criança não tem muito senso das coisas.

Não bastasse amarrar o cabelo daquele jeito vergonhoso, resolvi colocar vários amarradores, formando uma crista colorida no alto da minha cabeça. Óbvio, meu amarrador rosa, que era quase de estimação, ficou na ponta.

Pausa: Ô mãe, como você me deixava sair de casa assim? Era moda? REALLY?

Me sentindo uma paquita no zoológico, fui de bicho em bicho fazendo “awws” e “olha mãe” até chegar no tanque das tartarugas marinhas. Malditas sejam. O tanque era aberto e abaixo do nível do chão, então você ficava debruçado em cima, cara a cara com as figuras. Óbvio que a assistente de palco juvenil que vos fala se pendurou no tanque pra olhar e nisso, o amarrador rosa-lindo-estimação caiu no tanque da tartaruga.

Mas criança é ingênua. Tão ingênua que dói. Fiquei lá achando que uma boa alma ia pegar o amarrador pra mim, quando a tartaruga ENGOLE-O-AMARRADOR. Assim, do nada, sem cerimônia, deixando uma menina com crista na cabeça perplexa.

Dica: Tartarugas comem amarradores, fiquem espertos.

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Maldita ilusão de que o dinheiro compra tudo.

Domingo, aquele dia conhecido pelo tédio sem fim, tava eu aqui lendo, olhando pro teto, pensando na morte da bezerra e navegando pela internet, quando me deparo com coisas que me fazem pensar mil vezes sobre o rumo da humanidade. Não vou ficar aqui dando nomes aos bois, porque o que vi foi só o estopim de uma coisa que eu falo faz tempo: povo acha que dinheiro compra tudo.

É bacana ter dinheiro. Oras, claro que é! Aqui em casa a gente nunca “nadou” na grana, mas felizmente eu sempre tive tudo o que quis quando era pirralha, inclusive um Lango-Lango azul. Enfim, ter dinheiro é bom pra caramba, mas ele é só um meio de você se sustentar e comprar coisas, ele não define quem você é, embora muita gente se defina por tê-lo. Gente que acha que por ter dinheiro, pode fazer o que quer, criar as próprias regras e “beleza danem-se os outros”.

Não é ele que define seu caráter, sua relação com seus amigos ou sua atitude no trânsito. Ok, dinheiro pode até definir se você vai passar suas férias em Nova York ou em Itapecerica da Serra, mas não é ele quem diz se você vai ser bacana com as pessoas na fila do banco, se vai parar pra um pedestre passar na faixa ou se vai dar lugar pra uma senhora no ônibus.

Dinheiro compra roupa de marca, carro do ano, ingresso pro cinema, escola particular, viagem pro outro lado do mundo, trequinhos tecnológicos de última geração, pizza na sexta-feira e maquiagem importada. Mas dinheiro não compra gentileza, boas maneiras, educação no trânsito, senso de humor, discernimento, espírito esportivo, respeito e caráter.

Nunca é tarde pra lembrar.

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Porque Ficar Estressada Não Adianta Nada

Eu sempre tive problemas com ansiedade, desde criança. Daquelas que não dormia na véspera de datas comemorativas e ficava batendo os pezinhos no chão de impaciência. E não, não tinha nenhum transtorno de hiperatividade, era o pavio curto mesmo.

Na adolescência a coisa chegou num nível crítico, onde fui fazer terapia pra tentar não socar ninguém na época do vestibular e essas coisas todas. Não, eu nunca soquei ninguém de fato. Graças ao bom deus, os meus impulsos – ainda – estão sob controle.

Engraçado é que só agora, com 25 anos no meio da cara, é que tô começando a entender que ficar nervosa, agitada e matar a pessoa de 26 maneiras diferentes na minha cabeça não vão ajudar em nada.

É nada.

Porque mesmo que eu esteja certa, tenha razão ou motivos pra me irritar, a irritação em si – e todos os sintomas nada agradáveis que estão com ela – não vão resolver qualquer que seja o problema.

Acho que isso é ainda pior quando a irritação é com as pessoas, porque nervosismo alheio – salvos raros casos – nunca apressou ninguém. E o alvo do meu stress tá lá, numa boa, serelepe, enquanto eu fico ali me remoendo e tendo 500 sintomas físicos terríveis, que só quem é nervoso de carteirinha como eu, sabe o que é.

Adotarei mantras pra vida:

“Isso não é problema meu”
“Ema ema ema, cada um com seus problemas”
“Esse tom não vai apressar ninguém”
“Não se altere, não diga nada, não se irrite”

Já que ficar nervosa não ajuda, é hora de evitar que atrapalhe.

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A viúva que casa e as decisões difíceis.

Minha avó já dizia que “quando a viúva casa, aparecem os maridos”, ou seja, quando você resolve uma coisa, aparecem mais umas duzentas soluções pro tal problema que agora você não tem mais. Essa é a frase da minha semana.

Eu tava com um problema pra resolver e me apareceu uma daquelas propostas bacanas que você nem tava esperando, o que me fez ter aquela sensação de “problema resolvido, beleza”, mesmo tendo que alterar drasticamente a minha rotina pra poder me encaixar. Daí, quando dou o problema por terminado, me aparece uma outra proposta (um pouco menos bacana, admito), mas que me permite manter certas coisas que são primordiais pra mim, como almoçar com a minha família e dar comida pra minha cachorra. Além de outras questões ainda mais importantes que não vão ser explicadas em detalhes.

E agora estou eu aqui sentada, escrevendo esse texto “momento terapia” pra tentar botar pra fora a minha decisão de forma lógica (pelo menos pra mim). Até pensei em fazer uma lista de prós e contras, mas fiquei empacada. É claro que a primeira proposta seria muito melhor profissionalmente e eu fiquei muito, muito empolgada, mesmo tendo que alterar tanta coisa. Mas a gente precisa ser racional e abrir mão de algumas coisas pra manter um equilíbrio, em vários aspectos.

Tomei a decisão. Sei que posso acabar me arrependendo, como em toda escolha que se faz na vida, mas não se pode ficar parada no meio do cruzamento eternamente sem escolher uma direção. Por mais que, assim como todo mundo, eu queira sempre o trabalho mais foda, a coisa mais legal, eu ainda preciso da minha estabilidade emocional e todas as outras questões que não expliquei.

Seguir a intuição e dar o passo, é só o que se pode fazer.

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