No tempo que Orkut era uma coisa bacana e eu tinha um também, lembro de uma comunidade que falava de meninas “tom pastel”, aquelas meninas fofas, meigas, que só usam roupa clarinha, coisa e tal. Eu nunca fui uma. Jamais nessa vida.
Desde pirralha sempre tive uma preferência clara pelo que era diferente, não-convencional e até esquisito. Rosa nunca foi minha cor preferida, mesmo quando tinha Barbies pelos quatro cantos da casa. Enquanto todas as meninas queriam ir pra festas fantasiadas de bailarina, eu escolhia a Mulher-Maravilha ou coisa do tipo. Ia de boné e batom pro colégio, pra horror de umas e a simpatia de outras.
Simplesmente não sei ser de outra forma, é mais forte que eu. Passei boa parte da minha adolescência fugindo das cores claras e quase pedi pelo-amor-de-deus pros meus pais não me inventarem uma festa de 15 anos, só pra não passar pelo trauma de ter que usar um vestido bufante (graças a deus, meus pais me ouviram e eu não tenho esse trauma na minha lista).
Ouço rock antigo e tocaria bateria se não fosse tão desprovida de coordenação motora. Jamais ficaria sentadinha linda e formosa tocando violino ou coisa do tipo. Se o sapato é desconfortável, eu me recuso a usar. Ainda acho que o meu bom humor vale mais do que um salto 15 com um laço na frente.
Vira e mexe escuto um “você tem mais personalidade do que tamanho”, mas não tomo como uma ofensa. Desde cedo aprendi a desenvolver um gosto muito próprio pras coisas, e sempre admirei gente que age dessa forma. Lembro no começo da faculdade, que meu sonho mais próximo era ser parecida com uma professora minha, competente e com uma personalidade daquelas que transborda, falando exatamente o que pensa, mesmo que pareça minoria e que talvez as pessoas achassem estranha.
Eu não tenho divas do cinema como modelo. Leio mais livros da sessão de suspense do que do romance água com açúcar. Meu seriado favorito é Dexter e eu não me faço de coitadinha nas cenas mais bizarras. Não faço cara de paisagem e escondo a minha opinião. Ninguém é obrigado a concordar, mas precisa respeitar.
É, eu não nasci pra ser tom-pastel, desculpa aí.






